miércoles, 23 de abril de 2014

A Mulher no Cangaço, 1976

Projeto de criação


UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
INSTITUTO DE ARTES
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ARTE
Tópicos especiais em Artes Cênicas III
Professor: Marcus Mota
Aluna: Fernanda Cabral


O RITMO EM CENA NA ILÍADA


O universo rítmico-emocional feminino da Ilíada ao Cangaço nordestino.
CONCEITO E DEFINIÇÃO DO ESPETÁCULO
O objetivo deste projeto de criação é discutir o papel da mulher na Ilíada, estabelecendo um  contraponto com o universo nordestino, utilizando-se da cultura do Cangaço para sua construção. A elaboração cênica de uma performance centrada na rítmica como base principal. A cena se desenvolverá a partir de loops rítmicos-emocionais (utilizando-se de gravações prévias de vozes dos próprios atores, de trechos dos textos e das sensações produzidas pela relação visual-sonora da própria obra, onde padrões percussivos são utilizados, a fim de desenvolver um diálogo com a voz e com o corpo dos atores). Com o objetivo de estabelecer uma conexão com outras linguagens e explorar a relação poético-visual presente na obra, também serão utilizadas projeções durante a representação. O objetivo é estabelecer um dialogo imagético com as diferentes possibilidades de construção cênica, tendo a sonoridade como referente criativo.
Da mesma forma que no texto da Ilíada, o padrão rítmico marca um lugar, um espaço de dialógico entre o artista e o público, entre a palavra e o som. Aqui ele é a base para a construção do espetáculo. É a partir desta perspectiva de pesquisa, em explorar novas relações cênicas entre as disciplinas artísticas: voz,  corpo,  imagem e o ritmo em cena; que se desenvolve este projeto.
Realizar uma cena a partir da obra estudada, centrada no CANTO III, com ênfase na comicidade, usando os dois itens: superioridade e incongruência, valendo-se de contrastes.

MATERIAIS
(VIDEO, DANÇA, INTERPRETAÇÃO E TRILHA SONORA INÉDITA)
O tema, o texto, a cena:
-        A cena se desenvolve dentro do CANTO III. Verso 130. Cena entre Iris, Helena.
-        A voz masculina: O que os homens dizem a respeito das mulheres. A fala masculina será sempre utilizada como “Voz em Off”, ela também descreve possibilidades de ações em cena.
-        O lugar da mulher na sociedade homérica e nordestina, uso das 2 teorias da comicidade:  1 – Teoria da Superioridade (masculino e feminino, canto homérico x canto regional nordestino…) e 2 – Teoria da Incongruência: Trabalhando o aspecto do deslocamento cênico, universos paralelos entre as duas culturas, valendo-se da co - existência dessas duas, dotada muitas vezes de uma incongruência de ações.
-        A espera: relação entre o espaço e o tempo, a imagem e a sonoridade. O ritmo em cena como lugar para o desenvolvimento da linguagem emocional.
-        Desenvolver uma estética audiovisual.
-        Cinema mudo. Serão utilizadas pequenas cenas gravadas com as atrizes, que também estarão em cena, realizando um contraponto visual com imagens do cangaço também projetadas durante o espetáculo.
-        Valendo-se da técnica do símile, a fim de materializar novas imagens no palco. Imagens do texto que chamam à criação cênica de outras imagens, numa associação dotada de incongruência, para estabelecer em cena o choque cognitivo.
-        A sonoridade na obra. Observação dos aspectos de paralelismo dentro da obra, que se mostram através da sonoridade entre os universos musicais estudados e o jogo visual que se desenvolve, tendo como base uma temática recorrente na obra: o desenvolvimento das ações dos personagens, em sua relação com a atitude de urgência de ação e de espera. “Se ficar morre, se correr morre!”. A sonoridade típica da época da ilíada e a sonoridade regional nordestina em contraste.
-        Aspecto visual e cênico, num dialogo cênico desenvolvido dentro do chamado efeito de POLKILIA. A oposição das imagens do cangaço projetados em cena, juntamente ao universo mais tradicional, desenvolvidos no palco pelas atrizes, buscando uma tensão que se constrói através da beleza oriunda de elementos opostos.
-        Uma proposta de Teatro Coreográfico, onde a cena é construída através da rítmica, valendo-se da coreografia para ser estruturada.

ROTEIRO DE AÇÕES:
-        A cena se inicia através da construção sonora, melismática, que aos poucos, irá trazendo o público ao ambiente do CANTO III: “...grito dos grous que ressoa do céu, quando fogem ao inverno e às desmedidas tempestades e com gritos se lançam no vôo até as correntes do Oceano, para trazerem aos Pigmeus o destino e a morte, levando através do ar a hostilidade maléfica.” O GRITO como elemento cênico, onde é através da voz e da sonoridade implícita na obra, que as mensagens cênicas, serão personalidades nos personagens. O Grito Ululante é uma ponte entre a morte e a vida, e, é também um aspecto audiovisual. A cultura do primitivo, reverenciada através do conflito interno e externo desses personagens, pelo combate e luta, a cultura de AGON, da agonia.

ESTRUTURA DRAMÁTICA e TEMÁTICAS PRINCIPÁIS.
ROTEIRO DE AÇÕES
1º cena:
Mulheres que tecem o fio da vida através de seu silêncio, o destino traçado através da espera... As 4 personagens femininas do CANTO III.
2º Cena:
Os homens que ditam o destino das mulheres, suas vozes sempre aparecem em OFF. Primeiramente através do personagem de Príamo.
3º Cena:
Embate entre mulheres em seus lugares na sociedade e destinos maritais. Entre Afrodite e Helena.
4º Cena:
Voz em Off de Páris e embate com Helena.
-        1º AÇÃO: O Grito dos PEIXES, PÁSSAROS, PESSOAS. O aspecto da ancestralidade, do primitivo, que se expressa na VOZ.
5 PERSONAGENS, 4 ATRIZES: HELENA, IRIS, ETRA, CLÍMENE E AFRODITE, que será também representada por uma das outras atrizes que fará 2 papéis.
Voz em OFF: PRÍAMO e de PÁRIS. “Chega aqui, querida filha, e senta-se ao meu lado, para veres o teu primeiro marido...”
A cena descreve a situação de espera de Helena pelo seu destino marital. O casamento, a espera, a lugar da mulher confinada às escolhas e lutas masculinas, será o tema principal da cena a ser desenvolvida.
As falas serão adaptadas e reconstruídas à linguagem nordestina, existirá uma renarrativização das ações e falas cênicas oriundas da obra Ilíada. Desta forma, uma nova dramaturgia será criada.

OPÇÕES ESTÉTICAS:
Utilização de projeções visuais, a dança, textos em cena, centrados primordialmente na rítmica para a construção do espetáculo.

A COMICIDADE APLICADA À CENA:
A partir da provocação do curso de usar procedimentos de comicidade discutidos em sala de aula e aplicá-los no processo criativo. E desde a ótica de Bakhtin,  do estudo da mútua implicação entre procedimentos de transformação de contextos, que se encontram em obras cômicas e não cômicas, será desenvolvida uma estética que una a dança, a musica e o texto, tendo como base a rítmica em cena.
Utilizo-me neste projeto, da exploração do procedimento que se define a partir de questões semânticas, e na redefinição de referentes, e o consequente efeito cognitivo alcançado por meio dessa redefinição, através da releitura de uma cena da Ilíada, tendo como foco para sua construção, a perspectiva local nordestina e a cultura do Cangaço.
Neste caso, a partir de uma ação ou de uma fala, alteram-se os conteúdos referidos nas ações e falas, ou as expectativas de entendimento dessa ação. A linguagem local estabelece um contraponto visual-sonoro e poético também com essas características da linguagem presentes na Ilíada.


CRONOGRAMA:
Os ensaios serão realizados na UnB com as bailarinas-atrizes. Quinta-feira, no horário das 13:00 às 15:00hs nas datas mencionadas abaixo:
MAIO: 1, 8, 15, 22 e 29.
JUNHO: 5, 12, 19, 26.
JULHO: 3 (ensaio geral) e 10 (Apresentação no Cometa Cenas).