UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
INSTITUTO DE ARTES
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO
EM ARTE
Tópicos especiais em Artes
Cênicas III
Professor: Marcus Mota
Aluna: Fernanda Cabral
Aluna: Fernanda Cabral
O RITMO EM CENA NA ILÍADA
O universo rítmico-emocional feminino da Ilíada ao Cangaço nordestino.
CONCEITO E DEFINIÇÃO DO ESPETÁCULO
O objetivo
deste projeto de criação é discutir o papel da mulher na Ilíada, estabelecendo
um contraponto com o universo nordestino,
utilizando-se da cultura do Cangaço para sua construção. A elaboração cênica de
uma performance centrada na rítmica como base principal. A cena se desenvolverá
a partir de loops rítmicos-emocionais (utilizando-se de gravações prévias de
vozes dos próprios atores, de trechos dos textos e das sensações produzidas
pela relação visual-sonora da própria obra, onde padrões percussivos são
utilizados, a fim de desenvolver um diálogo com a voz e com o corpo dos atores).
Com o objetivo de estabelecer uma conexão com outras linguagens e explorar a
relação poético-visual presente na obra, também serão utilizadas projeções
durante a representação. O objetivo é estabelecer um dialogo imagético com as
diferentes possibilidades de construção cênica, tendo a sonoridade como
referente criativo.
Da mesma
forma que no texto da Ilíada, o padrão rítmico marca um lugar, um espaço de
dialógico entre o artista e o público, entre a palavra e o som. Aqui ele é a
base para a construção do espetáculo. É a partir desta perspectiva de pesquisa,
em explorar novas relações cênicas entre as disciplinas artísticas: voz, corpo, imagem e o ritmo em cena; que se desenvolve este projeto.
Realizar
uma cena a partir da obra estudada, centrada no CANTO III, com ênfase na
comicidade, usando os dois itens: superioridade e incongruência, valendo-se de
contrastes.
MATERIAIS
(VIDEO, DANÇA, INTERPRETAÇÃO E TRILHA SONORA
INÉDITA)
O tema, o texto, a cena:
-
A cena se
desenvolve dentro do CANTO III. Verso 130. Cena entre Iris, Helena.
-
A voz
masculina: O que os homens dizem a respeito das mulheres. A fala masculina será
sempre utilizada como “Voz em Off”, ela também descreve possibilidades de ações
em cena.
-
O lugar da
mulher na sociedade homérica e nordestina, uso das 2 teorias da comicidade:
1 – Teoria da Superioridade (masculino e feminino, canto homérico x canto
regional nordestino…) e 2 – Teoria da Incongruência: Trabalhando o aspecto do
deslocamento cênico, universos paralelos entre as duas culturas, valendo-se da
co - existência dessas duas, dotada muitas vezes de uma incongruência de ações.
-
A espera:
relação entre o espaço e o tempo, a imagem e a sonoridade. O ritmo em cena como
lugar para o desenvolvimento da linguagem emocional.
-
Desenvolver
uma estética audiovisual.
-
Cinema mudo.
Serão utilizadas pequenas cenas gravadas com as atrizes, que também estarão em
cena, realizando um contraponto visual com imagens do cangaço também projetadas
durante o espetáculo.
-
Valendo-se da técnica do símile, a fim de materializar
novas imagens no palco. Imagens do texto que chamam à criação cênica de outras
imagens, numa associação dotada de incongruência, para estabelecer em cena o
choque cognitivo.
-
A sonoridade
na obra. Observação dos aspectos de
paralelismo dentro da obra, que se mostram através da sonoridade entre os
universos musicais estudados e o jogo visual que se desenvolve, tendo como base
uma temática recorrente na obra: o desenvolvimento das ações dos personagens,
em sua relação com a atitude de urgência de ação e de espera. “Se ficar morre,
se correr morre!”. A sonoridade típica da época da ilíada e a sonoridade
regional nordestina em contraste.
-
Aspecto visual
e cênico, num dialogo cênico desenvolvido dentro do chamado efeito de POLKILIA.
A oposição das imagens do cangaço projetados em cena, juntamente ao universo
mais tradicional, desenvolvidos no palco pelas atrizes, buscando uma tensão que
se constrói através da beleza oriunda de elementos opostos.
-
Uma proposta
de Teatro Coreográfico, onde a cena é construída através da rítmica, valendo-se
da coreografia para ser estruturada.
ROTEIRO DE AÇÕES:
-
A cena se
inicia através da construção sonora, melismática, que aos poucos, irá trazendo
o público ao ambiente do CANTO III: “...grito dos grous que ressoa do céu,
quando fogem ao inverno e às desmedidas tempestades e com gritos se lançam no
vôo até as correntes do Oceano, para trazerem aos Pigmeus o destino e a morte,
levando através do ar a hostilidade maléfica.” O GRITO como elemento cênico,
onde é através da voz e da sonoridade implícita na obra, que as mensagens
cênicas, serão personalidades nos personagens. O Grito Ululante é uma ponte entre a morte e a vida, e, é também um
aspecto audiovisual. A cultura do primitivo, reverenciada através do conflito
interno e externo desses personagens, pelo combate e luta, a cultura de AGON,
da agonia.
ESTRUTURA DRAMÁTICA e TEMÁTICAS PRINCIPÁIS.
ROTEIRO DE AÇÕES
1º cena:
Mulheres que tecem o fio da vida através de seu
silêncio, o destino traçado através da espera... As 4 personagens femininas do
CANTO III.
2º Cena:
Os homens que ditam o destino das mulheres, suas
vozes sempre aparecem em OFF. Primeiramente através do personagem de Príamo.
3º Cena:
Embate entre mulheres em seus lugares na
sociedade e destinos maritais. Entre Afrodite e Helena.
4º Cena:
Voz em Off de Páris e embate com Helena.
-
1º AÇÃO: O
Grito dos PEIXES, PÁSSAROS, PESSOAS. O aspecto da ancestralidade, do primitivo,
que se expressa na VOZ.
5 PERSONAGENS, 4 ATRIZES: HELENA, IRIS, ETRA,
CLÍMENE E AFRODITE, que será também representada por uma das outras atrizes que
fará 2 papéis.
Voz em OFF: PRÍAMO e de PÁRIS. “Chega aqui,
querida filha, e senta-se ao meu lado, para veres o teu primeiro marido...”
A cena descreve a situação de espera de Helena
pelo seu destino marital. O casamento, a espera, a lugar da mulher confinada às
escolhas e lutas masculinas, será o tema principal da cena a ser desenvolvida.
As falas serão adaptadas e reconstruídas à
linguagem nordestina, existirá uma renarrativização das ações e falas cênicas
oriundas da obra Ilíada. Desta forma, uma nova dramaturgia será criada.
OPÇÕES ESTÉTICAS:
Utilização
de projeções visuais, a dança, textos em cena, centrados primordialmente na
rítmica para a construção do espetáculo.
A
COMICIDADE APLICADA À CENA:
A partir da provocação
do curso de usar procedimentos de comicidade discutidos em sala de aula e
aplicá-los no processo criativo. E desde a ótica de Bakhtin, do estudo da mútua implicação entre
procedimentos de transformação de contextos, que se encontram em obras cômicas
e não cômicas, será desenvolvida uma estética que una a dança, a musica e o
texto, tendo como base a rítmica em cena.
Utilizo-me neste
projeto, da exploração do procedimento que se define a partir de questões
semânticas, e na redefinição de referentes, e o consequente efeito cognitivo alcançado
por meio dessa redefinição, através da releitura de uma cena da Ilíada, tendo
como foco para sua construção, a perspectiva local nordestina e a cultura do
Cangaço.
Neste caso, a partir
de uma ação ou de uma fala, alteram-se os conteúdos referidos nas ações e falas,
ou as expectativas de entendimento dessa ação. A linguagem local estabelece um
contraponto visual-sonoro e poético também com essas características da
linguagem presentes na Ilíada.
CRONOGRAMA:
Os ensaios serão realizados na UnB com as
bailarinas-atrizes. Quinta-feira, no horário das 13:00 às 15:00hs nas datas mencionadas
abaixo:
MAIO: 1, 8, 15, 22 e 29.
JUNHO: 5, 12, 19, 26.
JULHO: 3 (ensaio geral) e 10 (Apresentação no
Cometa Cenas).
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